Vol. 17, Nº 01, fevereiro/2026
78º EDIÇÃO

AOS LEITORES
Tudo bem com você? Começamos o ano 20 do Folhinha Aplicada e para celebrar atualizamos seu formato! A ideia foi manter a participação de vocês e ficar mais atualizado aos novos parceiros, principalmente aos estudantes do Ensino Médio.
Nesta edição encontrará desenhos, contos, cartas de reclamação e alguns vídeos do projeto Postais da Terra. Este último uma iniciativa de um intercâmbio internacional que envolve varios países de língua oficial portuguesa. No canal oficial do YouTube chamado Postais da Terra encontrará mais produções, vale a pena conhecer. Aproveite! Até a próxima edição!
CANTINHO DA LEITURA
Atualmente compramos muito usando a internet e/ou aplicativos. Esse processo facilita muito, mas pode acontecer alguns prejuízos. O que fazer? Acionar a Lei do Consumidor, escrever as reclamações etc. Como faria uma carta se tivesse algo para reclamar? Os estudantes do 4º ano A da Escola Municipal Bernardo Élis fizeram uma produção de texto carta de reclamação. Confira as produções.
PRODUÇÃO DE TEXTO
GÊNERO TEXTUAL: CARTA DE RECLAMAÇÃO
Orientação: Prof. Leonarlley Rodrigo Silva Barbosa
Escola Municipal Bernardo Élis (Goiânia - GO).
Goiânia, 27 de novembro de 2025.
Senhor gerente Léo,
Estou decepcionada com você. O senhor me deu uma bola suja e manchada. Então, se você não me der uma nova bola, vou ligar para o prefeito cancelar sua loja.
Atenciosamente,
Stella Rocha Oliveira
Goiânia, 30 de janeiro de 2026.
Carta de reclamação.
Senhor gerente,
Eu queria trocar meu carro de brinquedo porque ele veio quebrado. Então, ou você troca ou o meu dinheiro de volta.
Tchau!
Assinado Waliffer
Goiânia, 30 de janeiro de 2026.
Senhor gerente Samuel,
Oi, vim aqui para te falar que ontem eu comprei uma TV e quando a TV chegou em casa e fui abrir a TV estava quebrada. Ou você me dá outra ou devolve o meu dinheiro.
Tchau!
Davi
Goiânia, 30 de janeiro de 2026.
Querido gerente Davi,
Eu fui até a sua loja e comprei um celular e quando eu cheguei na minha casa e abri a caixa, de repente o celular estava tudo quebrado por dentro. Eu espero que você devolva o meu dinheiro e vende certo da próxima vez.
Samuel Henrique
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PRODUÇÃO DE TEXTO
GÊNERO TEXTUAL: CONTO
Autor: Victor Hugo de Morais Costa
Orientação: Prof. Fábio Stoffels
CEPMG do Setor Palmito (Goiânia - GO).
ENTRE O HIJAB E O CRUCIFIXO
Maria e Aisha eram amigas desde quando elas podiam se lembrar. Muitas pessoas até as confundiam com irmãs, porque, além de serem quase idênticas, gostavam das mesmas coisas: brincar de boneca, matemática e ambas sonhavam em se tornar médicas no futuro. Porém, havia uma coisa que diferia Aisha de Maria: o uso do hijab, símbolo usado pelas mulheres muçulmanas que indica modéstia. Isso impactava muito na vida da menina muçulmana, principalmente no âmbito escolar, porque muitas pessoas, por não entenderem sobre a sua religião, espalhavam diversos comentários pejorativos, que vinham não só de alunos, mas também de algumas professoras. Quando alguma coisa do tipo acontecia, Maria sempre estava ali para consolar a amiga, dando–lhe abraços e oferecendo o seu delicioso bolo de mirtilo. Entretanto, a menina adorava o seu hijab, assim como adorava a sua religião e a sua cultura. Maria e Aisha sempre se respeitaram mutuamente. Foram momentos assim que fortaleceram a amizade das duas.
Mesmo que se conhecessem há bastante tempo, os pais de Maria nunca viram Aisha depois que ela começou a usar o hijab, com seus nove anos. Até um dia em que as amigas resolveram fazer uma festa de pijama na casa de Maria. A casa da menina era grande, com dois andares, e ali havia vários adereços católicos. Aisha não se incomodou com isso, pois respeitava todas as religiões, independente do que as pessoas acreditassem. Desde que chegou à casa da amiga, Aisha notou alguns olhares desconfortáveis dos pais da colega para seu hijab, entretanto resolveu ignorar. Na hora do jantar, a mãe da amiga havia preparado costelinha de porco e, por isso, Aisha não poderia comer aquela refeição.
– Desculpe, senhora, a minha religião não permite que eu coma carne de porco. Será que eu poderia ter outra coisa para jantar? – Claro, querida... – disse Cintia, mãe de Maria, com um sorriso forçado. A mulher preparou um pão com margarina. Aisha sorriu, agradeceu e pensou: “melhor do que ficar com fome”. Durante o jantar, o patriarca da família, Antônio, pousou os talheres no prato e, com um tom ríspido, disse:
– Então... deixa eu ver se entendi. A sua religião não te permite comer carne de porco, mas permite que vocês... sei lá... explodam as coisas por aí?
A garota engasgou com um pedaço de pão que estava mastigando.
– O... o que o senhor quer dizer com isso?
– Isso mesmo que você entendeu. Pessoas da sua religião só sabem fazer isso quando discordam de vocês: explodir tudo.
A garota olhou para ele com raiva visível em seu rosto e com as mãos trêmulas. O homem, com um sorriso irônico, continuou:
– Bom... você sabe que a sua religião é apenas ficção, né? Nenhum desses seus demônios poderá salvar a sua alma da danação eterna. Você deve se converter ao catolicismo. Somos a religião verdadeira, sabe?
Enquanto o pai proferia tantas mensagens de ódio, Maria sentia-se envergonhada. A garota sempre aprendeu na catequese que Jesus era amor e que todos deveriam ser respeitados, não importando suas diferenças, pois todos somos humanos. Aisha se sentia desrespeitada e triste por ter sua religião tão ofendida. Ela sabia que Antônio não representava todos os cristãos e que as pessoas preconceituosas poderiam estar em qualquer lugar. Ela não rebateu, pois sabia que, se o fizesse, ela seria proibida de ver sua única amiga, então resolveu ficar calada. O homem finalmente calou-se quando pousou mais uma garfada da costelinha na boca. Aisha se sentiu aliviada por poder voltar a jantar em silêncio.
Mais tarde, no quarto de Maria, ambas estavam papeando enquanto olhavam pela janela. Aisha suspirou e desabafou:
– Até agora não entendi o porquê de seu pai ter falado aquelas coisas para mim... eu mereço ser discriminada só por não seguir a mesma religião que ele?
– Claro que não! Ninguém merece sofrer por ser diferente. A minha função, como cristã, é respeitar todos. Meu pai pode não ter entendido isso ainda, mas vamos torcer para ele não pensar mais desse jeito e não se esqueça: eu estarei ao seu lado para o que der e vier!
Maria deu um abraço apertado em sua melhor amiga, acolhendo-a. Aisha sorriu feliz por ter uma amiga tão incrível quanto Maria.
No outro dia, Aisha estava lanchando, sentada em um dos bancos, esperando pela chegada de Maria, que era de outra sala. Maria chegou contente, correndo até ela.
– Aisha! Aisha! Você não vai acreditar!
– O que foi?
– Bom... Ontem, na igreja, o padre falou sobre aceitarmos as diferenças. Ele disse que todos somos filhos de Deus, independentemente de qualquer coisa. Meu pai se arrependeu de ter te tratado daquele jeito e quer te convidar para um jantar de desculpas! Leve os seus pais.
Aisha sentiu o coração se aquecer e não conseguiu disfarçar o sorriso. Segurou firme a mão de Maria, sentindo alegria. Naquela noite, na casa de Maria, os pais da garota prepararam um jantar com comidas típicas muçulmanas.
– Me desculpe por ter sido tão ignorante naquela noite, Aisha. O sermão do padre me tocou e vi que errei com você. Espero que você possa me perdoar.
– É claro que perdoo – respondeu Aisha, sorrindo.
As amigas se entreolharam e sabiam que nenhuma diferença separaria uma amizade verdadeira e de respeito mútuo. A noite terminou com risadas, com boas histórias e com Aisha tendo a esperança de um futuro melhor.
PRODUÇÃO DE TEXTO
GÊNERO TEXTUAL: CONTO
Autor: Felipe Pereira Carvalho 8º B
Orientação: Prof. Fábio Stoffels
CEPMG do Setor Palmito (Goiânia - GO).
PERGUNTAS QUE NÃO SE CALAM
Na minha época de escola, visitei réplicas de tribos indígenas de toda a cidade nos passeios turísticos, guiados pela professora de Arte. Imaginava como seriam as verdadeiras ocas, como era a vida daqueles povos e como ela era afetada pelo crescimento urbano. Pesquisei sobre esse assunto em diversas mídias, livros, filmes, documentários… Cada vez descobrindo mais e mais sobre esses povos.
Recentemente, tive o prazer de visitar a aldeia de Tenondé Porã, em São Paulo, com o meu filho. Eles ofereciam os mais variados pratos típicos da cultura dos guaranis. Meu filho havia estudado recentemente sobre esse povo na escola e estava maravilhado diante da fachada da Casa de Reza:
- Papai, eles vão à missa?
- Não, eles não têm esse costume, já que acreditam em outros deuses.
- Por que é diferente? - seus olhos cintilavam de curiosidade.
Eu procurei a resposta correta por alguns instantes. Manifestou-se nesse questionamento a inocência comovente e encantadora de uma criança, demonstrando sua pura curiosidade e inquietação. É assim que todos deveriam tratar as diferenças.
- É diferente porque eles não cresceram no mesmo ambiente que a gente. Tentamos impor a nossa religião para eles no passado, mas seus hábitos, as suas necessidades e os seus costumes não são iguais aos nossos. Mesmo assim, eles recebem turistas e apresentam a sua cultura.
Durante a tarde, visitamos algumas casas e acompanhamos a confecção de algumas obras artesanais, esculturas feitas de madeira que ilustram a cultura e a crença dos povos; também assistimos a uma apresentação musical e estudamos os seus significados com eles. Aquilo me fazia sentir como se estivesse de novo em um passeio turístico da escola. A última atração foi uma visita a Casa de Reza, o ambiente mais importante e sagrado daquela cultura. Havia uma decoração e uma iluminação especiais. O povo visitava aquele lugar para agradecer e clamar aos deuses.
- Papai - meu filho começou - eles vão à escola?
- Sim, eles têm escolas e aprendem algumas das matérias que vocês estudam.
- Eles estudam sobre a gente?
Essa pergunta me intrigou. Nós estudamos sobre eles. Existem documentários, livros e filmes que contam sobre o povo indígena, que apresentam vários estereótipos forçados e, em diversos casos, os vilanizam. Não há como saber qual a visão que eles têm sobre nós. Mesmo assim, ensinam sobre sua cultura, suas crenças e suas origens. Atualmente, eu sei que a vida dessas pessoas mudou drasticamente com o crescimento das cidades e com o avanço da ciência, e que algumas tribos adotaram parte dos nossos costumes.
- Sim. Eles aprendem muito sobre a gente – respondi.
Desde o dia em que visitei essa aldeia, venho pensando sobre isso. Eles estudam sobre a gente, entendem que somos diferentes e nos respeitam. Mesmo assim, muitas pessoas têm uma visão distorcida sobre esses povos, demonstram preconceito e os tratam como inferiores. Toda a sociedade deveria tomar isso como ensinamento e aprender a respeitar quem é de uma etnia ou de uma cultura diferente.
VA(LER)
RESENHA CRÍTICA
Autora e ilustradora: Maria Fernanda Cândido Gomes (1º ano EM - Cepae/UFG. Goiânia - GO)
Orientação: Profa. Elisandra Filetti Moura
O AUTO DA COMPADECIDA: DIMENSÕES DE DRAMATURGIA, ORALIDADE, CULTURA SERTANEJA, CORONELISMO E DIMENSÃO RELIGIOSA
ADAPTAÇÃO LITERÁRIA
Autora e ilustradora: Maria Fernanda Cândido Gomes (1º ano EM - Cepae/UFG. Goiânia - GO)
Orientação: Profa. Elisandra Filetti Moura
ADAPTAÇÃO DE O AUTO DA COMPADECIDA
ROTAÇÃO E TRANSLAÇÃO
Estudantes do 4º Ano C
Orientação: Prof. Paulino Antonio da Silva Moreira
Escola Municipal Francisco Xavier Vieira – Extensão São Domingos (Anicuns - GO)
Na Escola Municipal Francisco Xavier Vieira – Extensão São Domingos no Município de Anicuns-GO, os estudantes do 4º Ano C realizaram uma atividade interdisciplinar unindo Ciências e Arte. Orientados pelo Professor Pedagogo, Mestre em Educação, Paulino Antonio da Silva Moreira, os alunos produziram desenhos que representam os movimentos da Terra: rotação e translação, relacionando conhecimento científico e expressão artística. A proposta valorizou a criatividade, a observação e a compreensão dos fenômenos naturais, promovendo uma aprendizagem significativa e integrada.
RESUMO
ENSINO DE ARTE E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA:
experiências formativas na Educação Básica
VALENÇA, Kelly Bianca Clifford; TELES, Rayssa Reis dos Santos;
SILVA, Victoria Rhanya Rodrigues da
DESENHOS NO FOLHINHA


A turma do 4º ano C da Escola Municipal Francisco Xavier Vieira - Extensão São Domingos, sob orientação do professor Paulino Antonio da Silva Moreira, realizou uma atividade de arte colaborativa inspirada no folclore brasileiro, especialmente na figura da Iara. Os alunos recolheram folhas pelo pátio da escola, que foram e coladas para formar a cauda da personagem, e após realizaram a pintura de forma colaborativa. A participação de todos tornou o processo criativo mais rico e envolvente, fortalecendo o trabalho em equipe e o senso de pertencimento. Além de estimular a expressão artística, a atividade aproximou as crianças das tradições culturais brasileiras por meio da prática e da imaginação.















